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sábado, 17 de agosto de 2013

As Sementes da Terra


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"Picamos sempre o cavalo que galopa"                                                          
Plínio, o Velho
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Depois do lançamento da Eratóstenes, a ciência da astronavegação sofreu novos impulsos, mercê do aperfeiçoamento das técnicas, a simplificação dos métodos e, sobretudo, o melhor aproveitamento e rendimento da energia então utilizada nas viagens espaciais. O sonho ia aos poucos parecendo possível. Ícaro aventurava-se cada vez mais próximos dos luzeiros do céu, do oiro-vivo do fogo das estrelas O monge Bartolomeu descobria um novo éter para a sua Passarola.
Durante o meio-século que se seguiu, à medida que se iam sucedendo os anos e os decénios, a Eratóstenes foi caindo no esquecimento. Os grandes meios de comunicação, a imprensa a rádio e a televisão, deixaram por completo de falar no assunto. Ainda antes da sonda ter percorrido metade do seu caminho, as notícias praticamente só apareciam de ano a ano e mais tarde, de cinco em cinco, fazendo relembrar que um engenho humano seguia para a Estrela de Barnard, em missão de reconhecimento e estudo, levando sementes a bordo, "para serem plantadas noutro mundo", e que a aparelhagem de bordo continuava em bom estado de funcionamento e a enviar informações científicas "de muito interesse".
A comunidade internacional esquecera-a quase por completo.
Os mais recentes avanços tecnológicos levaram mesmo muitos cientistas a considerá-la obsoleta, em termos de veículo espacial. Já era possível e mais longe e mais depressa. E isto, apesar de ter revelado uma extraordinária precisão. Por seu lado, os conhecimentos da física e do Cosmos que dela se esperavam, iam aos poucos sendo adquiridos nas bases espalhadas pelo Sistema Solar, por intermédio de poderosos telescópios, radiotelescópios e interferómetros que se erguiam na Lua, em Marte, em Titã, no espaço interplanetário e mesmo na Terra.
As atenções concentravam-se, pois, nas experiências biológicas, mais propriamente, botânicas. Resistiriam algumas sementes às tremendas acelerações e desacelerações a que estavam sujeitas? Era possível que sim. Em breve se saberia. Mas então... e os animais? Aí é que as coisas se complicavam.
O sonho - o verdadeiro sonho - era, desde sempre, realizar a proeza de levar o homem em carne e osso a outros mundos, a outros planetas das estrelas.
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em A FEBRE DO OURO, Pág 128

domingo, 16 de setembro de 2012

ERATÓSTENES



                        6 – Eratóstenes
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                                          "... ir, ir,
                                                        até à distância abstracta..."
                                                        Álvaro de Campos
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A verdadeira exploração da espaço intergaláctico começara meio século antes, por intermédio da sonda Eratóstenes, assim chamada em homenagem a um sábio grego do século II a.C., refugiado em Alexandria, que realizara a primeira "medição astronómica", calculando o perímetro da Terra, numa época em que só alguns poucos iluminados a julgavam esférica. Esse nome fora atribuído à nave - dizia-se - por analogia para com o caminheiro (seria, antes, um camelo?) que o velho sábio contratara para contar (a passos...) os quinhentos estádios entre Siene e Alexandria. O número obtido seria usado como base para o cálculo do perímetro do planeta, a partir das diferentes inclinações da sombra feita pelo Sol, nas duas cidades nordestinas do grande continente africano. Agora, o caminho percorrido pela nave – acreditavam - daria novas e sólidas informações sobre a curvatura do Espaço, considerando a interpretação das fórmulas de Einstein.
Porém, Eratóstenes iria realizar uma outra experiência notável. Essa experiência consistia na análise do comportamento e resistência de variadas sementes e amêndoas sujeitas a acelerações e desacelerações descomunais. Elas seriam colocadas em compartimentos estanques, protegidas de todo o tipo de radiações e deveriam germinar em diferentes etapas da viagem. Isto tivera por consequência, em primeira análise, a necessidade de construção dum veículo de tamanho médio, de múltiplos componentes mecânicos, com dezenas de alvéolos onde seriam colocadas as sementes, um completo sistema de irrigação e respectivos depósitos para ar e para água, climatização e ionização, reguladores de pressão atmosférica, humidade e tudo o resto.
O projecto era ambicioso. Eratóstenes deveria substituir-se às pequeníssimas sondas operacionais desde meados do século XXI, de propulsão fotónica, que apenas eram capazes de investigar e transmitir informações. 
A perspectiva futura era construir uma nave que carregaria uma pequena sonda com capacidade para deslocar-se e poisar, munida duma mini-escavadora para abrir buracos e depositar as sementes em superfície planetária favorável. Do bom êxito ou do fracasso do crescimento das plantas, a bordo da Eratóstenes, dependeria o projecto seguinte. Quanto a serem semeadas no planeta sólido da Estrela de Barnard, a hipótese deveria ser excluída. Não porque se duvidasse da existência de água ou a água fosse diferente nesse planeta; ela é sempre, por definição, composta de duas partes de hidrogénio e uma de oxigénio. O chão e as terras deveriam ser iguais às da Terra, só variando na distribuição dos elementos, de lugar para lugar. Mas a pouquíssima radiação recebida no planeta, não permitiria a adaptação e o desenvolvimento da vida que temos. Se uma forma de vida houvesse, ela seria muito primitiva. O homem celeste, o Lap-Tamo, que desceu dos céus, não o faria ali... para levar frutos exóticos aos povos daquela Novíssima Guiné...
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em A Febre do Ouro, pág 44